Untitled Document

VANDER LÚCIO

Edição 294 - 10 a 16 de dezembro de 2010

OPINIÃO -

O Enigmático Cirineu

Samuel Vieira

   

Tamanho da letra:

 

A vida é cheia de surpresas – Boas e más! Um dos personagens mais enigmáticos da bíblia é um homem chamado Cirineu, que ajudou Jesus a carregar a cruz até o Gólgota. Ninguém fala dele; não há discurso positivo ou negativo sobre sua pessoa, e apenas uma descrição casual na narrativa da morte de Jesus.
Cirineu participa deste processo de forma absolutamente involuntária. Ele não estava no meio da multidão que pedia a crucificação de Cristo, nem do processo de julgamento, desconhece as questões e conflitos políticos e religiosos da cúpula de Jerusalém, e, ao voltar da zona rural, é obrigado a participar de forma absolutamente incidental, do dantesco cortejo da crucificação.
Cirineu é transeunte. Ele passava por ali. Sua rota era outra: vinha do campo para casa, não revela ter qualquer interesse nos motins sociais, nem nos conflitos que moviam a história de seu pequeno país. No entanto é pego de passagem. Estava no lugar errado, na hora errada.
Lucas relata que os soldados o constrangeram a carregar a cruz, talvez porque tivesse rejeitado inicialmente. De acordo com os cristãos, o eixo central da história da humanidade é a história da redenção, e este anônimo personagem é levado para seu centro, sendo citado e conhecido no mundo inteiro por este gesto acidental, de ter participado de um projeto para o qual não fizera opção.
Se ele ao menos entendesse o significado da Páscoa, talvez não tivesse carregado aquela cruz por constrangimento. Se soubesse porque Jesus estava sendo levado para aquele lugar, e da necessidade de derramar seu sangue pela humanidade, talvez até se oferecesse para ajudar. Aquela pesada tarefa se tornaria leve. Sua humilhação ao lado daquele desprezível homem, vaiado e humilhado, se revestiria de um enorme significado. Ele se veria, ainda que não o fosse, parceiro de Deus no projeto da redenção.
Cirineu teve o privilegio de carregar e sentir um pouco do peso da cruz que era sua – Infelizmente Jesus fez isto sozinho por mim: eu não pude ajudar...
Aquela cruz era minha. Jesus a tomou sozinho. Fui beneficiado de forma indelével por este seu gesto, onde ele sem falar, mostrou o valor maior do amor. Nada fiz para receber os benefícios dela, nem o poder da sua crucificação. Ele fez sozinho por mim! Como transeunte na história da vida, ali fui crucificado com meu mestre, mas ele levou no seu corpo a minha dor.
Cirineu teve este grande privilégio! Se ele ao menos entendesse a grandiosidade deste drama. Certamente achou muito vergonhoso e humilhante estar ali. Fazer o trabalho braçal diariamente no campo não era coisa muito complexo, mas as circunstâncias eram constrangedoras.
No entanto, a cruz o resgata do anonimato que atinge todos os seres humanos; e ainda mais, a cruz que ele carrega o resgata das trevas. Aquela cruz era a minha cruz, e ali meus pecados foram colocados sobre meu Mestre. Ela era pesada por minha causa, porque por meio de suas pisaduras e da sua morte eu fui lavado. Ele é o Cordeiro que tira o pecado do mundo pelo sangue que foi derramado.
Naquela cruz, ele foi moído pelas minhas transgressões. Aquela cruz, tão pesada para meu mestre, é a fonte de toda minha glória pessoal. Paulo afirma: “Eu me glorio na cruz” (Gl 6.14). A cruz é lugar de maldição, pois ali “Cristo nos resgatou da maldição da lei”, fazendo-se ele próprio “maldição em nosso lugar” (Gl 3.13). A cruz foi constrangedora para Cirineu, e mais ainda para Jesus. No entanto, a cruz até hoje é o símbolo maior do cristianismo, pois ela aponta para o fato de que Jesus quitou ali os meus débitos, declarando minha alforria! Afirmou que tudo estava pago! (Jo 19.30) e “cancelou o escrito da dívida que era contra nós” (Cl 2.14).
Que privilégio este enigmático e constrangido homem teve em tornar um pouco mais suportável a tarefa que meu mestre teve de carregar minha cruz. Quanto a mim, eu apenas a tornei mais pesada para Jesus, porque sobre esta cruz ele levou todos os meus pecados e me perdoou!


Veja outros artigos do autor:

Dinheiro traz felicidade?
Nosso mais profundo segredo
Vendo pontes ao invés de abismos
Respeite o seu ritmo
O poder da reconciliação
Como vencer o mal?
Estações da vida
1914-2014
Contentamento
Críticas
Bom senso
Fracasso
Manual de férias
Qual é a sua meta?
Natal: O Grande Presente!
Sintomas do Stress
Paraíso Perdido
O preço da miséria e do abandono
Conceitos e preconceitos
Questão de princípios
A violência Silenciosa
Amores tóxicos
Percepção
Pessoas e coisas
Expectativas e Realidades
Uma história de generosidade
Atitude
Mais jardins, menos muros
Divórcio é traumático também para filhos adultos
Sobre os médicos cubanos
O Efeito Titanic
Intenção
O Poder do Elogio
Construindo memórias
A cidade que queremos
Pressão
Proteja sua casa!
A História e a Meta-História
O Plebiscito que desejo
A Angústia Silenciosa
As Vaias para Dilma
Meditação
Grandeza
Ansiedade
Rotas do sucesso
Estas coisas me cansam...
Como finanças afetam os relacionamentos
Maravilhados
Ideologia
Pra não morrer na "tuia"
Salvem os garotos!
Felicidade interna bruta
A hermenêutica da Páscoa
Intolerância
Coopere com o inevitável
Rumores
Bang!
Visão
Momentum
Onde você vai passar o carnaval?
A Dialética da Linguagem
Fazendo reparações
Princípios ou sentimentos?
Luz e Trevas
Tetracloroetileno
Resoluções de Ano Novo
A escolha do presente
O absurdo de Deus
Estou em dúvida...
O Desespero da Solidão
As dúvidas me afastaram de Deus
A Utopia da imortalidade
A hora e a vez dos “gringos“
Resolução de conflitos
Ira não resolvida
Um bom começo
Os pequenos prazeres da vida
Espiritualidade no mundo dos negócios
Marketing e realidade
A morte e a Ética
Estações da vida
Simplicidade
Deuses modernos
Existe certo e errado?
Sorvete é bom para a alma
O grande legado
Os índices olímpicos
Consciência
Como se avalia uma grande nação?
A “Partícula de Deus”
Descanso não é opcional!
O Futuro que queremos
O Juízo da História
Talentos enterrados
A Arte de Namorar
Falsa Impressão
Quando bastante é bastante!
Mentalidade de dependência
Assertivo, não agressivo!
Pensamento mágico
Pai e Filho
Don’t be evil!
Auto-Condenação
Decoração, arquitetura e personalidade
Ciclos da Vida
Ser ignorado
Restaurando relacionamentos
PIB ou IDH?
Para a Glória da Arte
Teu falar te condena
O Grande Deboche
Quanto custa o céu?
Que vida Besta!
Jogando o lixo fora
Instituição ou Relação?
Novo Ano?
Paradoxos do Natal
A Graça do Natal
A Graça do Natal
A Paz não vem em comprimidos
A Teoria das Janelas Partidas
Meu encontro com D. Hélder Câmara
O Poder da Gratidão
Dia de Finados
Qual é o preço?
Perseverança
Steve Jobs e a morte
Felicidade & Dinheiro
A Hora da Verdade
Resiliência
Insights sobre Educação
Uma outra História
Heróis sem caráter
Egoísmo e prosperidade
A Grande Inversão e a Apatia
Geração Cogumelo
A incurável Dor
Religiosidade sem Deus
Teus pecados estão perdoados
Nada muda – Então, o que muda?
Criatividade e imaginação
Filtro Solar
Educação com Culpa
Conserve o seu bom humor
A Beleza está no coração
A descriminalização das drogas
Ação e Reação
Só me faltava esta…
Fazendo escolhas certas
O que dirige sua vida?
A Riqueza Indígena
Intuição
Comer, Rezar, Amar
Radiação
O Futuro já chegou
Cabelos lisos, idéias enroladas
Carnaval em Retrospectiva
A Biografia de Deus
Perspectiva
Não leve a vida tão a sério
Você tem uma causa para lutar?
A Generosidade Contagiante
Generosidade
O que pensar no meio do caos?
Vitória sobre o Medo!
A Maior de todas as infelicidades
Você vai passar o natal comigo
Envelhecendo com qualidade de vida
Gratidão como Estilo de Vida
Ter ou não ter filhos?
O Mito da posição hierárquica
Se ao menos
O voto obrigatório!
Não mude o que não deve ser mudado!
Relacionamentos Descartáveis
Vida interior
A Conspiração dos Ipês
Como aproveitar a tristeza
Ninguém fortalece sua vida com iniqüidade
Relacionamentos simbióticos
Lost
Obsolescência planejada
O Universo Fechado
O segredo da vida
Deus move a história
Avançamos muito
O Centro da Bíblia
Eu só tenho uma vida para viver...
A Plenipotencialidade do mal
Tomada de decisão
O Efeito de uma Educação Deformada
A imagem ofuscada de Deus
A Simplicidade liberta
O homem virou Deus?
Leve Vantagem em Tudo
“Palmadinha didática”
Integridade
O Segredo
Abaixo os Mitos
Beco sem saída
Rir é o melhor remédio!
A Necessidade de Justiça
O Enigmático Cirineu
O Mito de Proteu
Tá reclamando de quê?
Religião distanciada da vida
Nowism
O que aconteceu com a raça humana?
O Poder da Fantasia
Vida interior
A Mágica Experiência de Viver
Guia Para Sobrevivência
Em 2020...
Está apenas começando o ano!
Promessas esquecidas
Feliz Papai Noel...
Natal
O Presente certo no Natal
Fogo Estranho
Deus & Humanidade
O Poder da Gratidão
Saia curta. Saia justa!
As mais ricas celebridades mortas
O Poder da Validação
Mediocridade
Feiras populares e cultura
Vivendo ou sobrevivendo?
De frente com o trágico!
Conspiração contra as árvores
A partir de amanhã...
Quem matou o Pai?
Independência
Por que sofremos?
Nice do meet you!
Quando começar a viver?
A Vida precisa de rituais
Igreja, Cidade e Cultura. Anápolis, 102 anos.

[ voltar ]

 
Untitled Document

BUSCA RÁPIDA

Digite a palavra-chave da notícia
que deseja encontrar

NEWSLETTER

Cadastre e receba as novidades do Jornal Contexto